Escolas Famílias Agrícolas criam entidade estadual para fortalecer educação no campo no RS

A Criação da Uniagefa

No último dia 21 de agosto de 2026, em um encontro realizado em Santa Cruz do Sul, representantes de quatro Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) do Rio Grande do Sul estabeleceram uma nova entidade estadual, a União Gaúcha das Associações Escolas Famílias Agrícolas (Uniagefa). Este projeto visa fortalecer a estrutura organizacional, política e pedagógica das escolas, além de promover a Pedagogia da Alternância, um modelo educacional que considera a realidade vivida pelos filhos e filhas da agricultura familiar e camponesa.

O evento contou com a presença de aproximadamente 30 membros das associações mantenedoras das escolas, incluindo instituições de destaque como a Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc), a Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha (Efaserra), a Escola Família Agrícola de Vale do Sol (Efasol) e a Escola Família Agrícola da Região Sul (Efasul). A nova organização terá sua sede na Efasc, evidenciando a força e a união das EFAs no estado.

Impacto nas Comunidades Rurais

A criação da Uniagefa representa um passo significativo para mais de 650 jovens em formação e abrange a colaboração de 79 municípios e cerca de 300 comunidades rurais. Com um histórico de aproximadamente 1.010 alunos formados, essas escolas têm se destacado por proporcionar uma educação que se conecta profundamente com as vivências dos estudantes, capacitando-os a atuar em suas comunidades com responsabilidade e consciência sobre a agricultura.

Educação no Campo

Além disso, a entidade busca atender a uma demanda crescente por uma educação que considere as especificidades do campo, promovendo cursos que variam entre agropecuária e agricultura, integrando o ensino médio com formação técnica.

O Papel das Escolas Famílias Agrícolas

As EFAs desempenham um papel crucial na educação rural do Rio Grande do Sul. Elas não apenas oferecem um currículo adaptado às necessidades da comunidade, mas também promovem a formação de cidadãos conscientes e atuantes no desenvolvimento de suas localidades. A metodologia da Pedagogia da Alternância, aplicada por essas instituições, proporciona uma aprendizagem que ocorre em ciclos: os estudantes alternam períodos de ensino na escola com vivências práticas em suas residências e comunidades.

Essa abordagem não apenas reforça os conhecimentos teóricos com experiências práticas, mas também cria um espaço de diálogo entre os saberes acadêmicos e as tradições locais, fortalecendo a identidade dos jovens e seu vínculo com o meio rural.

Desafios da Educação no Campo

A educação no campo enfrenta diversos desafios que exigem uma atenção especial por parte das políticas públicas. Entre os principais obstáculos estão a falta de recursos adequados, a dificuldade de acesso à internet e as limitações no currículo, que muitas vezes não refletem a realidade dos estudantes. Além disso, ainda existe uma desvalorização da formação técnica em relação ao ensino tradicional, o que pode desencorajar jovens a ingressar em cursos técnicos relacionados à agricultura.

A Uniagefa se propõe a enfrentar esses desafios por meio da defesa de políticas que ampliem o acesso a recursos, promovam a valorização do ensino técnico e garantam a conexão das escolas com a infraestrutura digital necessária para a educação moderna.

A Pedagogia da Alternância em Foco

A Pedagogia da Alternância é um modelo inovador que se destaca na formação oferecida pelas EFAs. Com ênfase na prática, essa metodologia se baseia na alternância entre a vivência na escola e a atuação na comunidade, permitindo que os alunos desenvolvam competências essenciais para o mercado de trabalho rural. Adjunta a isso, está a necessidade de um projeto que reconheça essas metodologias como parte integrante das políticas educacionais.



O formato dessa pedagogia promove a autonomia e a responsabilidade nos estudantes, colocando-os como protagonistas de seu aprendizado, o que resulta em uma educação mais contextualizada, engajada e alinhada às necessidades do campo.

Políticas Públicas e Reconhecimento

A atuação da Uniagefa também está voltada para a mobilização política. Um dos objetivos centrais da entidade é garantir a inclusão das EFAs nas políticas públicas voltadas para a educação, especialmente no que diz respeito à Pedagogia da Alternância. Para isso, a entidade busca trabalhar para a criação de um marco legal que reconheça oficialmente o trabalho das escolas, assegurando direitos e recursos necessários para seu funcionamento eficaz.

Essa atuação é fundamental considerando que o reconhecimento e a legalização do modelo das EFAs podem fortalecer a educação do campo e garantir que as particularidades dos projetos educacionais desse tipo sejam respeitadas e valorizadas.

Formação Técnica e Ensino Médio

A estrutura das EFAs permite que os jovens realizem o ensino médio juntamente com a formação técnica, capacitando-os para o trabalho rural e para a continuidade de estudos em áreas relacionadas à agropecuária. A Efasc e a Efaserra são exemplos de instituições que oferecem um curso de agropecuária completo, que prepara os alunos para enfrentar os desafios do setor.

Por outro lado, a Efasol e a Efasul se concentram em áreas como a agricultura e a agroecologia, proporcionando uma formação que leva em conta as práticas sustentáveis e os novos desafios climáticos enfrentados pela agricultura atual.

Expansão e Novos Projetos

A Uniagefa não se limita apenas às quatro escolas já existentes; seu objetivo é promover a abertura de novas EFAs em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Um dos projetos mais avançados é a Escola Família Agrícola da Região Centro, cuja associação já foi criada e está em processo de credenciamento junto ao Conselho Estadual de Educação. Esta escola deverá funcionar no antigo Seminário Franciscano de Agudo, com previsões para início das atividades em março de 2027.

Além dessa, outras duas iniciativas estão em andamento: uma na instalação de novas EFAs na região do litoral médio gaúcho, envolvendo os municípios de Mostardas, Tavares e São José do Norte, e outra voltada para a região da Campanha, com a participação de Candiota e Hulha Negra. Esses projetos visam ampliar o alcance das EFAs, democratizando ainda mais as oportunidades educacionais no campo.

Organização e Diretrizes da Uniagefa

A fundação da Uniagefa foi seguida pela aprovação unânime da Carta de Princípios e do estatuto da nova entidade. A diretoria executiva, eleita para um mandato de dois anos, será composta por representantes das quatro EFAs: Márcio Luis Manske (Efasc) como presidente, Alessandro Trarbach (Efasol) como vice-presidente, Lucieli Conrado Leitzke (Efasul) como secretária e Arnaldo Poletto (Efaserra) como tesoureiro.

O suporte financeiro inicial da Uniagefa virá das contribuições das escolas membros. O secretário-executivo Adair Pozzebon ficará encarregado da articulação e administração das atividades da entidade.

Futuro da Educação Rural no RS

O futuro da educação rural no Rio Grande do Sul está comprometido com a iniciativa da Uniagefa, que busca não apenas unir as escolas em uma proposta comum, mas também empoderar a juventude rural. Com um foco na qualidade educacional, na valorização das práticas pedagógicas adaptadas ao meio rural e na conexão com as políticas públicas, a Uniagefa certamente se estabelece como um marco importante para a evolução da educação no campo.

Com a possibilidade de multiplicar o modelo de Pedagogia da Alternância e fortalecer iniciativas contemporâneas, a Uniagefa é uma promessa de um futuro mais promissor para as próximas gerações de jovens do meio rural, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e consciente de suas comunidades.



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