A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Santa Cruz do Sul registrou 294 prisões nos primeiros 303 dias de 2026. O número colocou a unidade na liderança entre as especializadas do Rio Grande do Sul.
Segundo dados apurados pela reportagem e confirmados pelo delegado regional Jader Ribeiro Duarte, a comparação envolve 22 Dracos no estado. A unidade santa-cruzense é chefiada pelo delegado Marcelo Chiara Teixeira.
As informações foram divulgadas em 30 de outubro de 2026, após uma sequência de ações da especializada em Santa Cruz do Sul e na região. Entre elas, houve uma operação em 28 de outubro e atividades durante a 41ª Oktoberfest.
A reportagem também reúne avaliações de Duarte sobre o combate ao crime organizado e as prisões realizadas na região. O delegado comentou ainda a possibilidade de assumir uma função de chefia na área da segurança pública estadual, mas disse não ter recebido convite.
Draco de Santa Cruz lidera o ranking de prisões no estado
A especializada que ocupa a segunda posição no levantamento contabiliza 172 prisões, 122 a menos que a unidade de Santa Cruz do Sul. A diferença foi apontada pelo delegado regional Jader Ribeiro Duarte ao comentar o desempenho da Draco.
Parte das capturas, segundo as informações divulgadas, envolve pessoas condenadas a partir de investigações conduzidas pela própria equipe. As prisões realizadas pela Draco de Santa Cruz incluem, portanto, resultados de apurações da especializada.
O movimento também pode ser observado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Santa Cruz do Sul, para onde agentes da Draco levam pessoas detidas em viaturas. A chegada de equipes com presos foi descrita como recorrente.
Operações e avaliação do combate ao crime organizado na região
Em 28 de outubro, a chamada Operação Lex Redit resultou em nove capturas. Durante ações preventivas e repressivas na 41ª Oktoberfest, a especializada realizou outras 28 prisões.
Jader Ribeiro Duarte avaliou que a atuação da Draco contribui para o controle das ruas e a retomada de territórios, especialmente com a prisão de gerentes do tráfico. O delegado regional também relacionou as ações ao combate permanente à facção que atua na região.
Sobre as críticas de que a polícia prenderia integrantes de escalões inferiores, Duarte afirmou que os principais líderes do tráfico já estão presos, com exceção de um que, segundo ele, está na mira das investigações. O delegado disse que a responsabilização desse suspeito depende de um trabalho de produção de provas.
O regional informou que a Polícia Civil havia realizado 1.100 prisões na região em 2026 e declarou que apreensões de drogas e de outros materiais ilícitos, junto às capturas, causam prejuízos ao grupo criminoso. Ele atribuiu à equipe da Draco uma atuação de repressão contínua e afirmou que os agentes se adaptaram às orientações de trabalho adotadas em Santa Cruz do Sul.
Jader Ribeiro Duarte fala sobre possível saída de Santa Cruz
O nome de Jader Ribeiro Duarte passou a ser mencionado para uma função de chefia na segurança pública estadual. Natural de Pelotas, ele trabalhou em quase 30 cidades e foi diretor de divisão no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Porto Alegre.
O delegado também tem formações do FBI e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e o Vale do Rio Pardo é a 12ª região policial em que atuou. Duarte disse ter ouvido de colegas que seu nome estava sendo considerado em Porto Alegre, mas afirmou estar bem em Santa Cruz.
Segundo o regional, as relações com autoridades e instituições da cidade são positivas, e ele se sente integrado ao município. Duarte declarou que não recebeu convite e que a decisão sobre eventual cargo cabe ao governo estadual.


