Cessão da Área do Daer em Santa Cruz do Sul
O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, anunciou em uma entrevista à Rádio Gazeta FM que o processo de transferência da área do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) para o município de Santa Cruz do Sul está em seus momentos finais. Esta área, com aproximadamente 1,7 hectare, está situada no centro da cidade, nas proximidades do parque da Oktoberfest e entre as ruas Tenente Coronel Brito, Galvão Costa e João Pessoa.
Gabriel mencionou que os detalhes do processo estão sendo revisados para garantir a conformidade jurídica a partir da premência do ano eleitoral. Ele expressou otimismo, afirmando: “Estamos chegando ao fim dessa questão. Assim que tudo estiver alinhado, resolveremos isso.” Segundo o vice-governador, a atual estrutura do Daer na localidade não se justifica mais, destacando que “não faz sentido manter uma grande estrutura inativa aqui”.
Críticas ao Governo Federal
No desenrolar da conversa, Gabriel Souza não hesitou em criticar a administração federal, especialmente em relação à infraestrutura no estado. Ele se dirigiu diretamente a declarações do ministro dos Transportes, George Santoro, que havia apontado a condição precária da RSC-287 e a cobrança de pedágio. O vice-governador retrucou, ressaltando que a União enfrenta desafios significativos para manter obras em andamento. Perguntou retoricamente: “Qual é a credibilidade do ministro do governo Lula para criticar as estradas no Rio Grande do Sul?”

Gabriel também mencionou a necessidade de duplicação de importantes rodovias federais, como a BR-290, e criticou a falta de financiamento para projetos essenciais no estado. “O superintendente do Dnit destacou que não há mais orçamento para manter qualquer obra do governo federal aqui”, afirmou, enfatizando a lentidão em iniciar os projetos de pontes internacionais na fronteira com a Argentina, que aguardam avanços do governo federal há dois anos.
A Necessidade de Investimentos em Infraestrutura
Durante a discussão sobre a RSC-287, o vice-governador não se esquivou dos problemas que cercam a concessão de rodovias, porém, ele defendeu que esse modelo é uma alternativa vital que possibilitou a realização de investimentos que, de outra forma, seriam inviáveis. “Embora haja desafios, a concessão permitiu que obras de duplicação fossem executadas. Do contrário, ficaríamos estagnados”. Ele enfatizou que a essência do debate deve se concentrar nas melhorias na infraestrutura, afirmando: “Estamos discutindo pedágio, mas o que realmente importa são as estradas e os investimentos necessários para sua melhoria”.
Defesa das Concessões Rodoviárias
Gabriel refutou as críticas direcionadas ao modelo de concessão vigente, apontando para a diferença no desempenho entre a concessionária e a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). “Enquanto a EGR, em 14 anos, conseguiu duplicar apenas sete quilômetros de estrada, a Rota de Santa Maria, concessionária responsável, já duplicou 42 quilômetros em cerca de cinco anos”, comparou. Para ele, a má gestão da atual infraestrutura deve ser discutida sob uma perspectiva mais ampla, focando na efetiva realização de investimentos.
Avaliação da Concessão da RSC-287
Embora reconheça os problemas na concessão da RSC-287, Gabriel Souza permanece firme em sua defesa, afirmando que s benefícios superam as desvantagens. Ele argumenta que este modelo permite que investimentos significativos sejam feitos, o que não acontecerá de forma autônoma sem a eficiência e a agilidade típica do setor privado.
Conflito com o Ministro dos Transportes
O vice-governador não deixou de mencionar a visita do ministro dos Transportes ao Vale do Rio Pardo, onde o representante do governo federal criticou as condições da rodovia, provocando respostas contundentes de Gabriel. Ele defendeu a região e esqueceu os comentários do ministro, destacando que as responsabilidades da administração federal são efetivamente um tema muito mais complexo do que uma simples crítica. Gabriel destacou os impedimentos que o estado enfrenta para realizar melhorias necessárias nas estradas, enfatizando que a execução de obras depende do comprometimento da união e dos recursos que podem ser alocados para essas iniciativas.
Resultados das Concessões em Comparação
O vice-governador utilizou a comparação de resultados entre a concessão e a gestão pública de rodovias como um ponto central de sua argumentação. Gabriel ressaltou o desempenho da concessionária em comparação com a EGR, afirmando que a EGR tinha mostrado um desempenho aquém do esperado se considerarmos o tempo em que esteve operando. Com isso, Gabriel reafirmou que a disputa em torno de tarifas e condições de concessionárias deveria ser vista como uma oportunidade de melhoria e otimização da infraestrutura rodoviária do estado.
Fracas Tentativas de Leilão de Concessão
Outro assunto abordado pelo vice-governador foi o insucesso do leilão de concessão do Bloco 2 de rodovias estaduais, que não despertou o interesse de investidores. De acordo com Gabriel, essa falta de atratividade foi resultado do clima político adverso gerado em torno do projeto: “Uma CPI foi criada na Assembleia Legislativa sobre algo que nem sequer tinha edital, muito menos um contrato firmado”. Essa instabilidade política, conforme observado, pode ser um fator limitante à atração de investimentos na área de infraestrutura.
Reformulação das Propostas de Concessão
Com o leilão mal-sucedido, Gabriel propôs que o governo precisará reavaliar e reformular a proposta de concessão para permitir uma nova tentativa de atração de investidores. “Precisamos trabalhar novamente na modelagem nas próximas semanas para definir uma abordagem que possa gerar mais interesse” afirmou. Essa reestruturação será crucial para o sucesso dos próximos projetos de concessão que visem revitalizar a infraestrutura rodoviária e garantir investimentos necessários para o estado.
Importância da Duplicação de Rodovias
O vice-governador concluiu a discussão reiterando a relevância estratégica da duplicação das rodovias para o desenvolvimento econômico abrangente do Rio Grande do Sul. Ele argumentou que a infraestrutura rodoviária é um fator fundamental para o progresso e que comunidades que dispõem de estradas duplicadas experimentam crescimento econômico significativo. “Nosso foco deve ser a ampliação das estradas duplicadas, pois isso é essencial para a prosperidade das nossas comunidades”, finalizou Gabriel.

