Notícias sobre a Câmara Setorial do Tabaco
No dia 23 de março de 2026, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco promoveu sua 79ª Reunião Ordinária em Santa Cruz do Sul, RS. O evento contou com a presença de representantes de diversas entidades e líderes do setor, todos reunidos para debater questões relevantes da cadeia produtiva. O encontro ocorreu na sede da Associação dos Fumicultores do Brasil, com alguns participantes também se juntando de maneira virtual.
Responsáveis pela Abertura do Encontro
A abertura da reunião esteve a cargo de Romeu Schneider, o presidente da Câmara Setorial. Durante sua explanação, foram apresentados informes da secretaria que incluíram o calendário de reuniões do ano de 2026, com datas marcadas para os dias 15 de julho e 11 de novembro em Brasília.
Relato Sobre a Safra 2025/26
Um dos pontos altos da pauta foi o discurso do presidente da Afubra, Marcilio Drescher, que compartilhou um panorama detalhado sobre a safra 2025/26. Ele informou que a colheita dessa safra já está praticamente completa, com aproximadamente 20% do tabaco já comercializado. As primeiras análises indicam uma produção de 685 mil toneladas, um número ligeiramente inferior em comparação ao ano anterior, devido a condições climáticas adversas. No entanto, ele assegurou que a safra se mantém dentro de padrões normais.

Desafios na Comercialização de Tabaco
Drescher também abordou a atual situação da comercialização do tabaco, notando uma diminuição na demanda por parte da indústria, que agora se mostra mais rigorosa na classificação do produto. Esta rigidez, que recorre às tabelas da IN-10 do MAPA que não eram utilizadas recentemente, parece ter frustrado alguns produtores. “Alertamos frequentemente que, caso não diversificássemos a produção, poderíamos alcançar um teto de consumo interno, o que impactaria negativamente os preços ao produtor”, destacou.
Impacto da IN-10 do MAPA
A situação se agrava com o recente recorde no pagamento de indenizações, totalizando R$ 237 milhões, como apoio a produtores associados que enfrentaram dificuldades.
Desempenho das Exportações em 2025
O desempenho das exportações brasileiras de tabaco em 2025 foi outro tema discutido. O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, apresentou dados que revelam um progresso significativo, com exportações atingindo a marca de US$ 3,389 bilhões, o que representa um aumento de 13,84% em relação ao ano anterior. O volume de tabaco exportado foi de 561.052 toneladas, mostrando um crescimento ainda mais expressivo de 23,25% e demonstrando a forte aceitação do tabaco brasileiro no mercado internacional.
Análise do Mercado Global e Demandas
Os principais destinos do tabaco brasileiro em 2025 incluíram países como Bélgica, China, Indonésia, Estados Unidos, Vietnã, Emirados Árabes e Turquia, evidencia a diversificação dos mercados receptores e destacando a posição do Brasil como líder nas exportações globais desse produto.
Riscos com Fertilizantes e Logística
À luz dos dados do MDIC/ComexStat, ficou evidente que a exportação no início de 2026, nos meses de janeiro e fevereiro, denotou uma queda, com apenas 63.592 toneladas exportadas. Essa diminuição representa uma redução de 19,07% em comparação ao mesmo período de 2025. O valor total das exportações também foi afetado, com uma queda de 36,74%, movimentando US$ 373,524 milhões. Thesing indicou que essa diminuição nas receitas é um sinal de que o mercado global pode estar se direcionando para um equilíbrio entre demanda e oferta.
Vazio Sanitário e Práticas Agrícolas
Outro assunto urgente abordado na reunião foi a necessidade de instituir um vazio sanitário para o tabaco, conforme mencionado por Eraldo Konkol, representante da Confederação da Agricultura (CNA). Ele argumentou que o plantio na estação de inverno gera desafios consideráveis, sugerindo que o Ministério da Agricultura formalizasse essa prática assim como faz em outras culturas. O ponto foi apoiado por Nirlei Storch da Profigen, que destacou que muitos produtores têm antecipado o plantio em até três meses, aumentando sua vulnerabilidade a condições climáticas e pragas.
Prejuízos da Proibição dos DEFS
Em relação aos desafios regulatórios, Edimilson Alves, diretor executivo da Abifumo, expressou suas preocupações sobre os impactos negativos da proibição dos dispositivos eletrônicos de fumar (DEFS). Ele enfatizou a necessidade de regulamentação adequada, especialmente diante do crescimento do mercado ilegal, que agora se beneficia em virtude da ausência de estruturas regulamentares adequadas.
Estudo Sobre o Movimento Econômico do Tabaco
Benício Werner, também da Afubra, apresentou uma pesquisa que está sendo desenvolvida com o intuito de quantificar o impacto econômico gerado pela produção de tabaco. O estudo visa mapear não somente os custos de insumos e equipamentos agrícolas, mas todo o fluxo de transporte e logística envolvidos, desde a colheita até a exportação, destacando a influência da cadeia produtiva do tabaco em outras áreas econômicas, como comércio e serviços. “Buscamos demonstrar que o setor de tabaco gera um movimento muito maior do que se imagina, sensibilizando assim as autoridades sobre sua importância”, concluiu Benício.


