‘Mulheres vivas, terra e moradia’: Grito dos Excluídos e Excluídas é lançado no RS

MOBILIZAÇÃO POPULAR

‘Mulheres Vivas, Terra e Moradia’: O Grito dos Excluídos e Excluídas no RS

No dia 7 de setembro, cidades como Porto Alegre, Lajeado e Santa Cruz do Sul vão ser palco de mobilizações significativas, reunindo diversos setores da sociedade em um manifesto por direitos e dignidade. Denominado Grito dos Excluídos e Excluídas, este evento marca sua 32ª edição no estado do Rio Grande do Sul, com o lema “Vida em primeiro lugar: defesa da terra, da paz e da moradia. Erguemos nossa voz: Mulheres vivas e soberania”.

Mobilizações Coordenadas

Os grupos sociais, como movimentos populares, organizações dos direitos humanos e diferentes comunidades religiosas, iniciaram esta grande mobilização onde estarão presentes para assegurar que a voz dos excluídos da sociedade seja ouvida. O evento se desenrolará através de atos em locais diversos, com a intenção de descentralizar o movimento e levar a mensagem a terras que muitas vezes permanecem à margem do discurso predominante.

A defesa da terra e da moradia

Uma preocupação central nas mobilizações deste ano refere-se à questão da moradia. Esta bandeira é especialmente relevante considerando o impacto de recentes desastres naturais e a situação de emergência climática que aflige a região. A coordenadora do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Ceniriani Vargas da Silva, enfatiza que “a habitação é a porta de entrada para outros direitos”. Sem ela, não existem garantias de saúde, trabalho ou educação.

Grito dos Excluídos

Importância da voz feminina

As mulheres são o foco essencial em todo este movimento, dado que as realidades de violência e exclusão que enfrentam são amplificadas no contexto atual. Dom Itacir Brassiani, bispo de Santa Cruz do Sul, expressa que “as mulheres trazem consigo as feridas de uma violência muitas vezes invisível, mas que precisa ser contestada e visibilizada”.

A História do Grito dos Excluídos

Originado há mais de 30 anos, o Grito dos Excluídos surgiu como uma forma de relacionar o desejo de independência com as vozes daqueles que ainda enfrentam várias formas de dominação. É um chamado por uma sociedade mais justa, onde a soberania dos povos seja respeitada. Nesta nova edição, temas como a defesa da terra, da paz e o enfrentamento da violência contra as mulheres são os pontos centrais da jornada proposta.



Particularidades das mobilizações no RS

Em função das transformações no cenário político e social, este ano a mobilização ocorrerá em novos formatos. Ao invés de apenas participar do desfile tradicional do 7 de setembro, as organizações planejam percorrer as periferias e bairros, promovendo discussões e até mesmo ações sociais nesses locais. Isso reflete uma mudança estratégica que busca integrar comunidades marginalizadas na esfera da luta por direitos.

Reflexões sobre o papel da Igreja

A Igreja desempenha um papel importante em apoiar e fortalecer esses movimentos. Através do Conselho Nacional de Justiça e ações concretas como a suspensão de despejos em período de pandemia, a igreja se mostra aliada em torno de causas habitacionais e da justiça social. Dom Itacir salienta que o comprometimento das instituições religiosas é fundamental para dar voz a quem não a tem: “O grito dos excluídos é um grito por soberania e dignidade”.

Violência de Gênero na cultura gaúcha

A cultura gaúcha, rica em história e tradição, também apresenta desafios em relação à violência de gênero, segundo Dom Itacir. Ele argumenta que algumas canções e tradições perpetuam comportamentos que desvalorizam as mulheres. Portanto, é essencial reavaliar essas narrativas e buscar uma cultura que reverberem respeito e igualdade.

Estratégias de mobilização nas periferias

As movimentações de 2026 pretendem marcar presença em bairros historicamente esquecidos, fortalecendo a ideia de que o grito deve ser ouvido onde as condições de vida são mais desafiadoras. Com caminhadas que partem da Praça da Alfândega em Porto Alegre, a mobilização busca abranger diversas áreas, promovendo um espaço onde todos possam compartilhar suas realidades e reivindicações.

Direitos Humanos e Soberania do Povo

A luta pela soberania é uma peça chave no contexto das mobilizações. Dom Itacir destaca que o povo é o verdadeiro detentor da soberania, um conceito que deve ser estruturado nas bases de uma democracia saudável e participativa. Estar consciente dos direitos humanos é fundamental para navegar a atualidade brasileira e seus desafios.

Perspectivas futuras para movimentos sociais

O futuro dos movimentos sociais no Brasil continuará a depender da capacidade de articular agendas e mobilizar bases em prol de uma sociedade mais justa. Através de eventos e articulações como o Grito dos Excluídos, poderes constituídos e a sociedade civil têm a oportunidade de relembrar que ouvir os excluídos e lutar por seus direitos são passos essenciais para a construção de um Brasil mais igualitário e solidário.

É neste espírito que a declaração “Por um Rio Grande Decente” serve como um lembrete das lutas ainda por vir, moldando um futuro onde as vozes de todos, especialmente dos excluídos, possam ecoar e gerar mudanças significativas na sociedade.



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