Novos olhares sobre a educação marcam o segundo dia do Congresso da Rede Sinodal

Abertura Inspiradora no Congresso

No segundo dia do 35° Congresso da Rede Sinodal de Educação, realizado no Colégio Mauá em Santa Cruz do Sul/RS, deu-se início com uma reflexão profunda. O pastor Olmiro Ribeiro Junior, representante da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), conduziu um momento de meditação com uma frase impactante: “Há raízes que alimentam o corpo, outras alimentam a alma”. Esta citação serviu como um convite à introspecção e alinhamento do tema do congresso, que busca novas formas de entender o ambiente escolar.

Após essa introdução reflexiva, a plateia foi surpreendida com uma apresentação da equipe de ginástica rítmica do Colégio Mauá, que encantou a todos com sua performance vibrante, ressaltando como a arte e o movimento são partes essenciais do desenvolvimento humano.

O Papel da Neurociência na Educação

A primeira palestrante do dia, Carla Tieppo, fez valer sua expertise em neurociência para discutir como a ciência do cérebro pode impactar positivamente o processo educativo. Conhecida por sua inovação na aplicação da neurociência em contextos educacionais e organizacionais, Carla estimulou os participantes a refletirem sobre a importância do ambiente coletivo nas instituições. Em sua fala, destacou que “coletivamente somos muito melhores semeadores”, enfatizando que a educação deve ser uma prática compartilhada em vez de um esforço solitário.

novos olhares sobre a educação

Ela propôs que a escola não deve ser apenas um local de ensinamento de conteúdos, mas sim um espaço onde cada estudante possa florescer e alcançar seu potencial máximo. A palestra fomentou a ideia de que a formação integral passa por reconhecer o papel da emoção na aprendizagem, e isso deve ser uma prioridade nas abordagens educacionais contemporâneas.

Reflexões Sobre Saúde Mental nas Escolas

Na sequência, Carla Challenging question time um ponto crítico: a atual estratégia escolar tradicional, focada apenas na entrega de conteúdos e na preparação para vestibulares. Ela alertou que a conexão emocional é o que realmente faz a diferença na aprendizagem.
“O que fica com a gente é o pulsar da vida”, disse Carla, enfatizando que a escola precisa ser um local onde os jovens experimentem alegria, vivam emoções e cresçam de forma integral.

Num mundo onde a pressão acadêmica é intensa, é vital que os educadores promovam um ambiente que vincule aprendizado e bem-estar mental e emocional, criando espaços de acolhimento e segurança para que todos os alunos se sintam valorizados.

Coletividade e Aprendizagem

Ao longo do evento, a ideia da coletividade como vetor de aprendizagem foi uma constante. Carla Tieppo instou a audiência a repensar a forma como as aulas são conduzidas, com ênfase na interação entre alunos. Ela pediu uma maior colaboração entre educadores e estudantes, sugerindo uma mudança no paradigma de ensino para um mais inclusivo e dinâmico. A escola deve ser um lugar onde a participação ativa é encorajada, permitindo que os alunos façam parte de seu processo formativo.

Desafios da Educação Tradicional

Em sua fala, Carla trouxe à tona os desafios que enfrentamos na educação tradicional, especialmente em um momento onde as novas tecnologias transformam a forma como interagimos com o conhecimento. Ela questionou se nosso modelo educacional está preparado para se adequar a essas mudanças, destacando que a inclusão e o engajamento devem guiar essa adaptação.



Ela propôs que educadores busquem constantemente novas estratégias didáticas que engajem a vontade de aprender dos alunos, ressaltando que a motivação e o sentido pessoal são fundamentais para a construção de um aprendizado sólido e duradouro.

O Novo Paradigma de Ensino

Seguindo com o tema de inovação educacional, a doutora Janaina Weissheimer, especialista em Letras, abordou a importância de entender a mecânica do aprendizado. Em sua apresentação sobre “Escola, um lugar em que se aprende”, trouxe à luz importantes pesquisas na área de neurociência aplicada ao ensino. Janaina pautou a discussão em quatro pilares da aprendizagem: atenção, engajamento ativo, feedback e consolidação do conhecimento.

Ela argumentou que, para ensinar de forma eficaz, os educadores precisam primeiro entender como o cérebro aprende. Esta compreensão é crucial para a construção de metodologias de ensino que sejam não apenas informativas, mas também transformadoras, permitindo que todos os alunos se sintam parte do processo educativo.

Importância da Emoção na Aprendizagem

A emoção desempenha um papel vital no aprendizado, e isso foi uma ideia reiterada por ambas as palestrantes. A teoria de que somente o estudo intenso se traduz em aprendizado eficaz foi contestada. Janaina destacou que o ato de dormir de forma adequada é crucial para a consolidação do que é aprendido.
“Precisamos desacreditar a ideia de que estudar incansavelmente é o único caminho”, afirmou, defendendo um equilíbrio que envolva tanto o tempo dedicado ao estudo quanto ao descanso e recuperação mental.

Impacto das Telas na Educação

O uso excessivo das telas foi outro aspecto abordado durante a conferência. Janaina alertou para o fato de que a superexposição a dispositivos digitais pode sequestrar tanto a cognição quanto a saúde mental dos indivíduos. “As telas têm impactado nossa capacidade de concentração e nossas relações interpessoais”, afirmou, convidando os educadores a refletirem sobre a necessidade de implementar estratégias que resgatem a motivação pela aprendizagem, levando em conta a era digital em que estamos inseridos.

A Necessidade de uma Nova Metodologia

Com a crescente evidência de que a forma tradicional de ensino pode não atender às necessidades atuais dos estudantes, as palestrantes concordaram que uma nova abordagem educacional é necessária. Isso inclui o desenvolvimento de metodologias que valorizem a diversidade de talentos e formas de aprendizado e que incentivem a curiosidade e o pensamento crítico.

Os educadores foram desafiados a transformar suas práticas no cotidiano escolar, moldando experiências que integrem tecnologia de maneira construtiva e criativa, mantendo o foco na formação de indivíduos que sejam pensadores independentes e cidadãos ativos.

Preparando o Futuro da Educação

O evento não se limitou apenas às palestras. Os participantes puderam se engajar em dinâmicas em grupo e minicursos voltados para diferentes temas relevantes ao universo educacional, onde diretores e coordenadores participaram de atividades que reforçavam a aplicação prática dos conceitos discutidos nas palestras. A interação e troca de experiências foram vistas como despertadores para inovações reais nas escolas.

No encerramento do dia, o coral de crianças do Colégio Mauá trouxe à tona como a cultura e a arte podem se entrelaçar ao processo educativo, deixado todos os presentes com uma sensação de esperança em ver um futuro educacional mais vibrante e efetivo.



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